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13 de novembro de 2016, 15h01

Vital Farias elogia Lava Jato e é vaiado aos gritos de “Fora Temer”

O que deveria ser uma noite de festa, com um reencontro do público cearense com quatro grandes compositores nordestinos responsáveis por dois dos mais emblemáticos discos da música brasileira nos anos 80 – Xangai, Geraldo Azevedo, Elomar e Vital Farias, reunidos nos álbuns ao vivo “Cantoria”, então lançados pela Kuarup – acabou se tornando um constrangimento para grande parte do público que compareceu ao Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, na noite deste sábado (12). Por Vermelho A atmosfera entre os espectadores já estava um pouco destoante do clima festivo de um sábado à noite, desde que Elomar solicitou...

O que deveria ser uma noite de festa, com um reencontro do público cearense com quatro grandes compositores nordestinos responsáveis por dois dos mais emblemáticos discos da música brasileira nos anos 80 – Xangai, Geraldo Azevedo, Elomar e Vital Farias, reunidos nos álbuns ao vivo “Cantoria”, então lançados pela Kuarup – acabou se tornando um constrangimento para grande parte do público que compareceu ao Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, na noite deste sábado (12).

Por Vermelho

A atmosfera entre os espectadores já estava um pouco destoante do clima festivo de um sábado à noite, desde que Elomar solicitou de forma enérgica, no palco, que não fossem feitas fotos ou imagens dele, ressaltando que, ao contrário dos três colegas de show, ele não as autorizava. Apontando um a um os espectadores que continuavam a filmar, o compositor chegou a ameaçar deixar o palco, caso as câmeras de celular continuassem ligadas.

Foi quando Vital Farias, destacando o direito de Elomar de não permitir filmagens, ressaltou ser um “cidadão brasileiro” e resolveu abordar a “situação política” do País, fazendo, em suas palavras, “uma homenagem à Lava Jato”. A reação de grande parte do público foi imediata: muitas vaias, gritos de “Fora Temer” e até pessoas deixando o salão onde acontecia o show. Vital tentou continuar a apresentação, cantando “Não me engana de novo”, mas teve de interromper a música, diante da indignação da plateia, que irrompeu em mais vaias, além de manifestações em defesa do ex-presidente Lula e expressões de surpresa quanto a este ser atacado por um nordestino.

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Diante do visível constrangimento dos colegas de palco, Vital afirmou que as pessoas que vaiavam seriam “do PT”, o que só aumentou a reação do público contra o compositor paraibano. Enquanto Geraldo Azevedo preferiu permanecer em silêncio, diante da atmosfera pesada, coube a Xangai tentar acalmar os ânimos, defendendo o direito de Vital Farias se manifestar e dizendo também ter sua posição política, mas apontando que preferia deixá-la fora do palco, em respeito às pessoas que saíram de casa para assistir ao show – “muitas vezes, com sacrifício”.

O estrago, porém, já estava feito. Apesar das beleza eterna das canções de Xangai, Elomar, Geraldo Azevedo (que tentou dar prosseguimento ao espetáculo com “Dia branco” e “Caravana”) e do próprio Vital Farias – como os clássicos “Veja (Margarida)” e “Ai que saudade d´ocê” – e a despeito da emoção de rever os quatro compositores reunidos no palco, os protestos do público cearense divergindo da fala de Vital continuaram ao longo de todo o restante da apresentação. O show terminou com o público entoando em massa o “Fora Temer” e recebendo inclusive o apoio de Geraldo Azevedo, de braço levantado acompanhando o grito da multidão. O público cearense deixou clara sua discordância quanto à tentativa de “homenagem” à Lava Jato.

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Foto: reprodução Vermelho

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