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17 de junho de 2014, 14h32

“Viva a Dilma, Vaia aos VIPS”, diz poeta Augusto de Campos em resposta à Folha

Poeta critica cobertura de parte da imprensa que, ao invés de condenar os xingamentos à presidenta, fez uma cobertura dúbia

Poeta critica cobertura de parte da imprensa que, ao invés de condenar os xingamentos à presidenta, fez uma cobertura dúbia 

Por Redação

Em reportagem sobre os xingamentos que a presidenta Dilma Rousseff recebeu na abertura da Copa do Mundo (12), na Arena Corinthians, o jornal Folha de S. Paulo utilizou um poema de Augusto de Campos, que se chama VIVA VAIA. Mas, de acordo com Campos, a utilização foi indevida e sem a sua autorização.

Augusto de Campos disse em sua carta-resposta ao jornal que a “brutalidade de conduta de alguns torcedores, que configura até crime de injúria, mereceria pronta e incisiva condenação e não dubitativa cobertura, abonada por um poema meu publicado fora de contexto”.

A seguir, leia o texto de Augusto de Campos na íntegra:

“Prezados Senhores

Esse jornal utilizou, em 14 de junho de 2014, com grande destaque, o poema VIVA VAIA, de minha autoria, como ilustração de matéria ambígua sobre os insultos recebidos pela presidente Dilma, na partida inicial da seleção.

Utilizou-o, sem minha autorização e sem pagar direitos autorais: sem me dar a mínima satisfação.

Poupo-me de comentar a insólita atitude da FOLHA, a quem eu poderia processar, se quisesse, pelo uso indevido de texto de minha autoria.

A matéria publicada, composta de três artigos e do meu poema, cercado de legendas sensacionalistas, deixa dúvidas sobre a validade dos xingamentos da torcida, ainda que majoritariamente os condene, e por tabela me envolve nessa forjada querela.

A brutalidade da conduta de alguns torcedores, que configura até crime de injúria, mereceria pronta e incisiva condenação e não dubitativa cobertura, abonada por um poema meu publicado fora de contexto.

Os xingamentos, procedentes da área vip, onde se situa gente abastada e conservadora, evidenciam apenas o boçalidade e a truculência que é o reverso da medalha do nosso futebol, assim como a inferioridade civilizatória do brasileiro em relação aos outros povos.

Escreveu, certa vez, Fernando Pessoa: “a estupidez achou sempre o que quis”. Como se viu, até os candidatos de oposição tiveram a desfaçatez de se rejubilarem com os palavrões espúrios.

Pois eu lhes digo. VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.

Augusto de Campos.”