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06 de Maio de 2018, 15h05

Wellington Dias tem que escolher um vice do PT para não correr risco de Dilma e Pimentel

Ou o PT assume uma posição mais crítica ao comportamento dos, até então, seus aliados, ou começará a receber o troco nas urnas de 2018

Foto: Agência Senado

Por Oscar de Barros, no 180 graus

Está passando da hora do PT do Piauí entrar na discussão da vice de Wellington Dias.

Pela lógica, Wellington Dias sendo reeleito em outubro (e as pesquisas revelam que a probabilidade é alta) vai administrar 3 anos, se desincompatibilizar e sair candidato ao senado. Seu vice (que ainda está por definir-se) assumirá o governo e poderá ser candidato à reeleição.

O PT tem que lutar para indicar a vice de Wellington e o nome de Regina Sousa é o mais apropriado para isso.

A estratégia que o Partido elegeu para este ano de chapa pura para deputado estadual e também federal está correta. Agora, trata-se de aperfeiçoar a estratégia e lutar para indicar a vice.

E o PT tem cacife para isso. O PT é grande. Ande por este interior piauiense e facilmente encontrará petistas nos grandes centros e nas pequenas cidades. E esta militância está aquecida depois de viver percalços mil de 2016 para cá. Nunca se deve esquecer que quem elegeu Wellington Dias governador pela primeira vez foi a militância petista orgânica e grande parcela do povo que não tem ligação com o PT, mas também, não tem com nenhuma outra agremiação partidária. E os rumos de 2018 novamente serão definidos por estes dois atores políticos; o aguerrido, vibrante e valente militante petista e o piauiense que quer dias melhores e não tem vinculação direta com nenhum Partido.

O país vem vivendo um tsunami político de 2013 para cá e a população percebe isso com clareza. Percebe e cobra do PT: “como o PT aguenta tanta traição, tanta chantagem política e convive com figuras intimamente ligadas à corrupção e encasteladas em postos chaves do governo? ”

Esta cobrança que fazem ao PT significa que a confiança em seus líderes e em sua legenda tem um limite. E penso que as eleições deste ano vão deixar claro que a população quer distância do PT (seu partido preferido conforme as pesquisas) de siglas que não fazem outra coisa a não ser a chantagem política e o envolvimento com corrupção.

Num português mais claro, ou o PT assume uma posição mais crítica ao comportamento dos, até então, seus aliados, ou começará a receber o troco nas urnas de 2018.

O MDB é um alvo.

A seccional emedebista do Piauí cala-se com relação aos absurdos nacionais que a sigla vem promovendo desde que usurpou o poder, não deu uma só palavra em favor de Lula preso injustamente, não quer discutir programa de governo, aceita qualquer tipo de aliança, topa qualquer parada, desde que Themístocles Filho, seja indicado vice de Wellington Dias.

O Progressista, bem, este dispensa maiores comentários.

Os tempos mudaram. Uma presidenta legitimamente eleita foi golpeada pelo MDB com ajuda decisiva do Progressistas, a maior liderança política do país foi presa para ficar alijada do processo eleitoral de 2018 (e durante todo o “processo jurídico” as lideranças emedebistas e progressistas permaneceram caladas), a administração federal está atolada em denúncias e perdida sem dar rumos consequentes ao país.

E os golpes não param. Em Minas Gerais, numa ação com o MDB como ator primeiro, abriu-se processo de impeachment contra o governador petista Fernando Pimentel. Espero em Deus que Wellington Dias não venha a enfrentar este problema ainda em seu atual governo. Porque os exemplos estão aí: qual foi a fidelidade de Michel Temer (MDB) com sua titular de chapa, Dilma Rousseff? Que fidelidade terá Wellington Dias, se seu vice também conspirar como fez o vice de Dilma. Impossível isso? Não, não é!

Como organizar um discurso eleitoral para o povo piauiense que aponte para uma solução de seus problemas se “o time” que o PT apresenta reserva espaços tão escandalosamente generosos para aqueles que hoje não tem tido a mínima generosidade com o PT nem com os interesses do povo brasileiro.

Não vejo necessidade de extinção destes Partidos, como tem apregoado o presidenciável Ciro Gomes com relação ao MDB. Penso até que eles podem ter participação na chapa e no governo do PT. Mas é preciso uma autocrítica e que esta participação tenha tamanho.

Quem tanto contribuiu para o caos em que se encontra o país precisa recomeçar e ter a humildade de não cobrar espaços grandes demais pelo o pouco que fez.